primeira hora da manhã

março 05, 2017







Fiz uma frase a partir das seguintes palavras: procura, estrada, consciência, deserto, adoração, nome, coração e fracasso:

- No fracasso da procura na estrada deserta, 
a consciência do coração adora o) sem nome.


Agora é a tua vez:







fevereiro 28, 2017








(Cloud Gate Dance Theater)


“A iluminação é a cooperação absoluta com o inevitável”. Quando tudo em nós coopera com o inevitável fluxo da vida. Deixamos de perguntar se este é o caminho certo ou o errado, mas passamos a receber tudo o que surge como sendo o melhor para nós em cada momento. Rendemo-nos. Passamos a dizer sim à vida e sim à morte, sim à saúde e sim à doença, sim à acção e sim à contemplação. Consoante o que se apresentar em cada momento. Deixamos de nos perguntar sobre o que devemos ou não devemos fazer. Confiamos e entregamo-nos a esse fluxo, sem o travão dos nossos medos. Eles estão cá, mas deixam de funcionar como barreiras. E começamos a ver que esse fluxo é maravilhoso, curativo e vibrante como numa dança em que o nosso corpo se enlaça noutros corpos até que já não somos nós que dançamos, mas a dança que dança através de nós. Só quando essa rendição acontece é que podemos falar de liberdade e de verdadeiro amor. O amor verdadeiro é a qualidade da rendição absoluta ao inevitável. Apaixonamo-nos pelo momento presente e por tudo e todos que o habitam. Estamos, finalmente, face a face, sem desviarmos o olhar.


(Este texto é inspirado nos testemunhos de Anthony de Mello, Adyashanti e Jeff Foster)

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fevereiro 22, 2017









(imagem do filme Baran, de Majid Majidi)



Dependendo da qualidade da nossa presença na sua presença, podemos "ver" no "outro" o inferno ou o céu, ou quem ele realmente é. Se em cada instante nos lembrarmos que o "outro" não é "outro", mas todos somos Um no Pai. Se conseguirmos olhá-lo para além da máscara que ele carrega, para além do seu ego, mais ou menos problemático, mais ou menos infernal. Se conseguirmos olhar sem o nosso ego, mais ou menos problemático, mais ou menos infernal, a interferir na visão. Então haverá sempre ligação e conseguiremos amar, em qualquer situação, seja quem for, mesmo o ser humano mais desajeitadamente humano, até cruel.










fevereiro 17, 2017









      .                  *               .      
    .        .                   .               
                    Es             *          
      *      *     tre                        
                     la           .             
      .    .          ca                       
                  den                         
      .                te              *       
                             .                   
           *               .            .       
                         .                       





















  Disse    o Teu nome  
    em       VOZ ALTA  
E      recolhi-o          
   L E T R A  A  L E T R A
      Na algibeira do coração
Onde           se misturou    
     e nunca mais o             
                      reconheci
   Deixaste de ser o amado 
     Para ser         
             Amor   
                 
            
       
    
  

























  
     
         
                 
                            
                                         
                                                   
                                                              
                                                                         
                                                                    
                                                     A casa 
                  do peregrino
      é o Caminho Ele habita-o     
  Saiu de casa para entrar em Casa  
  Mudou-se sem armas nem bagagens    
    Todos com quem se cruza são família
             Mesmo que não o saibam     
                           Ele           
                             ama-         
                                   os         













janeiro 28, 2017





(para as cartas de marear, que não desistiram de esperar)







Houve um tempo em que as minhas mãos multiplicavam-se para agarrar todas as palavras do mundo e mil dedos freneticamente percorriam livros e traziam-mas à boca, que as engolia, sôfrega, quase sem mastigar. Depois de percorrerem o infindável tubo digestivo, eram aconchegadas nas múltiplas dobras, estantes dos intestinos. A minha imaginação agrupava-as, casando-as umas com as outras, formando famílias, tribos, comunidades, que me ocupavam o pensamento e não deixavam espaço para a vida que em cada instante floria e eu perdia. Até que comecei a minha cura de desintoxicação, e uma a uma foi obrigada a sair pelos orifícios da pele, em estado gasoso, líquido ou sólido, consoante o grau de teimosia. E senti, no ventre vazio, o silêncio do mundo. A imaginação deixara de funcionar por falta de combustível. Libertara-me da(s) história(s). Era finalmente livre e finalmente via, ouvia e tocava no que existia, sem necessidade de outra companhia.



maio 15, 2015













notícia de hoje
O mundo acordou com a falência da sociedade da ficção 
e das suas três subsidiárias com sedes em paraísos artificiais, 
a sociedade da ficção do pensamento, 
a sociedade da ficção das emoções 
e a sociedade da ficção das sensações
Todos os funcionários regressaram a casa 
e foi declarada a insolvência dos seus dois sócios, 
o senhor e a senhora pessoa

última hora
A vida regressou ao seu estado original

A equipa despede-se cordialmente
Deixou de haver espaço para notícias
Tudo passou a ser notado
Até um simples gato quieto
em cima de um telhado


























Não se (a)guarda Deus para mais tarde. Ele não se dará, já se deu. Inteiramente. 
E não sai à rua. És tu que tens de voltar para casa. Regressa e procura-o na tua/Sua morada. No templo que é o teu/Seu corpo. 
Habita-o. Verdadeiramente. E a Graça alumiar-te-á a candeia. E se fará Luz para que possas ver. E ao ver não compreenderás. 
E ao não compreender unir-te-ás. 
Somos todos filhos pródigos, perdemo-nos para nos reencontrar.



Confia 

Haverá um reencontro 

Aguarda os sinais 

Quando souberes sânscrito, hebraico, grego e aramaico
Chegou o tempo da viagem
Pelo nosso pé, iremos juntos à terra santa






março 05, 2015














Oração para um tempo de Quaresma


Pai, ajuda-me a não julgar. A estar atenta e compreender que na origem de todos os julgamentos está a ignorância de ti. A ignorância de que  todos somos matéria-prima de Deus. Alfabetizámo-nos de trivialidades, inventámos línguas que não te dizem, axiomas, teoremas, equações, tratados, postulados, mas desaprendemos o Teu alfabeto, que nasceu connosco e que se escreve de compaixão, amor e atenção. A desatenção faz-me perder a Visão e a Audição. O meu ruído abafa a voz que vem de dentro e que me atravessa, a intuição profunda. E cega e surda fico nas mãos das minhas pulsões, das minhas atracções e repulsas, que estão na origem do meu julgamento rápido e sem tréguas. E erro. E erro. E tenho dificuldade em não voltar a errar e a sair deste ciclo de enganos que me afasta de ti e dos outros.
Pai, ajuda-me a estar atenta e presente em Ti. Até que um dia, ao olhar, ao ouvir, ao tocar, ao falar. És tu que olhas, és Tu que ouves, és Tu que tocas, és Tu que falas, por mim.







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